Manufacturing Consent revisitado: uma nova aproximação

Trabalho

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Manufacturing Consent revisitado: uma nova aproximação

Resumo: Este artigo apresenta brevemente a obra Manufacturing Consent, publicada em 1979. Nela, o autor descreve a maneira em que a direção de Allis Chalmers organizava a disciplina do trabalho operário mediante a coerção e o consentimento, em particular por meio do estabelecimento de quotas de produção, o que suscitava uma espécie de jogo social entre os operários. Realiza também uma revisão do método etnográfico usado naquele momento, criticando-o e propondo substituí-lo pelo “estudo de caso ampliado”, que leva em conta o contexto do trabalho, incluindo as trajetórias dos atores, as transformações dos mercados e do papel do Estado, sem esquecer os elementos espaço-temporais como fatores de mudança. Aproveita a ocasião para revisar as publicações recentes que tem abarcado entre os seus objetos de investigação os temas de gênero, trabalho doméstico, trabalhadores migrantes, serviços, sindicalismo, etc. Este artigo sugere que as lutas estariam se descolando da exploração para a comoditização (commodification), acompanhada pelos conflitos relacionados ao consumismo; estes indicariam o início de uma nova era de mobilizações transnacionais que tem alcançado da Europa do Leste à Ásia. A partir disso, o autor retoma as teses de Polanyi, desenvolvidas em A Grande Transformação, atualizando-as com o advento da terceira onda ultraliberal que estende a comoditização à natureza (terra, água e ar) e ao conhecimento, frente ao qual os movimentos do tipo occupy seriam as primeiras respostas.

Palavras-chaves: 1. Consentimento; 2. Coerção; 3. Movimento operário

Manufacturing Consent revisited: a new aproximation

Abstract: The article briefly presents Manufacturing Consent, a 1979 publication directed by Allis Chalmer that deals with the way in which work discipline for manual labourers is organised through coercion and consent, based in particular on the establishment of production quota creating a kind of “game of making out” between works. The author reviews the ethnographic method that had been used at the time. He criticises this approach and suggests a replacement based on an “extended case method” that incorporates the work context and includes actors’ trajectories as well as transformations in markets and the role of the state – without forgetting spatial-temporal factors of change. This becomes an opportunity for the author to review recent publications that have expanded the object of research to include gender, domestic labour, migrant workers, services, trade unions, etc. The article suggests that issues pertaining to the battles witnessed in these domains range from exploitation to commodification and include consumerism. All of these bones of contention have inaugurated a new era of transnational mobilisation extending from Eastern Europe to Asia and inspiring the author to reproduce Polanyi’s Great Transformation thesis, after updating it to include the recent advent of a third, ultra-liberal wave that broadens commodification to include nature (earth, water and air) and knowledge. The first manifestation of this change is the Occupy movement.

Keywords: 1. Consent ; 2. Coercion ; 3. Workers’ movement

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