Durante o 4º Colóquio Marx e Engels, realizado em novembro de 2005, a revista Outubro promoveu um Encontro Nacional, aberto a todos os membros de seu Conselho Editorial, colaboradores e amigos. Na ocasião, foram discutidos seu projeto editorial e a composição do Conselho Editorial. Os presentes destacaram a importância da revista no âmbito do pensamento marxista brasileiro e discutiram sua posição singular, marcada por um pluralismo no campo da investigação marxista e uma identidade política definida. Aberta às várias vertentes do marxismo teórico, Outubro definiu desde seu nascimento um perfil político claro. Já em seu manifesto de apresentação, publicado no número 1, a crítica ao capitalismo era, também, uma crítica das tradições social-democratas e stalinistas que prevaleceram no campo da esquerda. O Encontro destacou esse perfil político e a necessidade de atualizá-lo incorporando à agenda da revista a crítica à experiência de governo do Partido dos Trabalhadores. Ao mesmo tempo, foi ressaltado o caráter aberto da revista às várias tradições do marxismo revolucionário e reafirmada a independência e a sua autonomia perante as diferentes organizações políticas da esquerda.

O Encontro também discutiu a autonomia financeira da revista. Para manter sua independência e auto-sustentação, torna-se cada vez mais importante a ampliação do número de colaboradores. A revista já consolidou seu espaço, principalmente entre jovens pesquisadores e professores das universidades brasileiras e pode fazer essa expansão preservando e incrementando, ao mesmo tempo, a qualidade dos artigos publicados. Com esse propósito foram incorporados ao Conselho Editorial Ariovaldo Santos (UEL), Carlos Cesar Almendra (Fundação Santo André), Fernando Ferrone (cientista social), Henrique Amorim (Unicamp), Jadir Antunes (Unioeste), José dos Santos Souza (UESB) e Virginia Fontes (UFF). Também foram ratificados os nomes que haviam sido incorporados ao Conselho depois do Encontro anterior: Carlos Zacarias F. de Sena Júnior (UNEB), Eleutério Prado (FEA/USP), Eurelino Coelho (UEFS), Felipe Abranches Demier (historiador-RJ) e Frederico Costa (UFC).

O número 13 da revista outubro traz dois provocativos artigos internacionais. O professor da Universidade de Amsterdan, Guglielmo Carchedi, discute os modos de manifestação das crises do capitalismo, a direta repercussão destas sobre os trabalhadores e a ineficácia das alternativas keynesianas. Charchedi é autor de Class analysis and social research (Blackwell, 1987) e de For Another Europe: a class analysis of European economic integration (Verso, 2001), obras nas quais tem insistido na importância da análise de classe para a compreensão dos processos sócio-econômicos contemporâneos. Guillermo Foladori, da Universidade Autônoma de Zacatecas (México) traz, mais uma vez, o debate ecológico para as páginas da revista Outubro. Foladori discute o paradoxo presente nas análises marxistas sobre a questão ecológica: se as relações sociais capitalistas são as responsáveis pela degradação ambiental, como alguns autores argumentam, por que a depredação e poluição da natureza nos ex-países socialistas foram iguais, ou ainda piores, que nos países capitalistas?

Esboçar uma investigação que permita a caracterização adequada de um novo modo de produzir no interior do modo de produção capitalista, denominado de pós-grande indústria é o objetivo do provocativo artigo de Eleutério F. S. Prado. Para tal seu autor se debruça sobre a análise das formas de subsunção do trabalho ao capital e da constituição do valor como trabalho abstrato medido pelo tempo nos diferentes momentos do modo de produção capitalista. A seguir, Felipe Abranches Demier compara os estudos de Francisco Weffort e Octavio Ianni sobre o populismo brasileiro com as análises de Leon Trotsky a respeito dos novos regimes que surgiram na América Latina nos anos 1930. Por meio dessa comparação, destaca a semelhança existente entre as formulações do revolucionário russo e os trabalhos dos dois cientistas sociais brasileiros. O artigo de Alvaro Bianchi, por sua vez, discute o conceito de barbárie. A principal característica desta seria a destruição massiva das forças produtivas do trabalho, e não a reversão de um projeto iluminista idealizado. Concebida desse modo, a barbárie passa a fazer parte do cotidiano do capitalismo contemporâneo.

Dois curtos comentários, de autoria de Valério Arcary e João Machado, a respeito da crise política no Brasil, completam a seção de artigos. Sobre estes dois comentários faz-se necessário um esclarecimento. Não se trata, como o leitor facilmente pode constatar, de análises acadêmicas da presente situação política. Seus autores expressam, de modo engajado, diferentes visões a respeito das transformações da esquerda brasileira após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Com a publicação desses textos, a revista Outubro pretende não apenas contribuir para a compreensão da presente crise, como, também, trazer aos seus leitores diferentes posições críticas a seu respeito no âmbito da esquerda.

EDIÇÃO 13 COMPLETA