Com uma cara nova a revista Outubro chega a sua sétima edição. Trazendo uma programação visual mais arrojada, a revista pretende tornar sua leitura mais fácil e agradável. As mudanças não são apenas cosméticas. O crescente número de artigos enviados a nossa redação nos levaram a, pela primeira vez, divulgar na revista os critérios de seleção e as normas para publicação em Outubro. Nada que não tenhamos seguido nos últimos anos ou que não fosse do conhecimento de nossos colaboradores. Mas a iniciativa tem por objetivo dar uma maior visibilidade aos critérios adotados e permitir a novos colaboradores o envio de artigos.

Michel Husson, economista e membro do conselho científico da Association pour une Taxation des Transactions Financières pour l’Aide aux Citoyens (Attac), abre a revista analisando a presente situação da economia mundial. O autor mostra os limites da chamada “nova economia” e seu rápido esgotamento. Desenha, com isso, um acurado quadro da economia norte-americana e européia depois do 11 de setembro. Mesmo mostrando a reviravolta pela qual tem passado a economia nos últimos anos, o autor não considera provável um novo crash.

Fernando Antonio da Costa Vieira e Hiran Roedel e Marcos Del Roio, analisam em dois artigos, os novos desafios que o processo da chamada globalização, em suas múltiplas dimensões, criou para os movimentos sociais. Discutindo tais desafios, os autores apontam tanto para a permanência dos conflitos classistas como para a necessidade de revigorar as práticas de luta social, incorporando novas forças sociais em uma perspectiva anticapitalista.

As mutações das formas de dominação do trabalho são tema dos artigos de Ricardo Bellofiore e Maria Augusta Tavares. Bellofiore, professor do Departamento de Ciências Econômicas da Università degli Studi di Bergamo, na Itália faz sua primeira aparição nas páginas de Outubro, analisando o lugar dos fundos de pensão na economia capitalista contemporânea. Bellofiore constrói seu argumento polemizando com as teses de Robin Blackburn e Michel Aglietta que identificariam nesses fundos uma maior influência dos assalariados nas estratégias das empresas. Maria Augusta Tavares, por sua vez, ataca frontalmente a questão do trabalho informal, apontando nele novas formas de exploração do trabalho.

Valério Arcary traz para Outubro, um autor maldito, sempre citado e raramente lido. Colocando Karl Kautsky como centro de sua reflexão, Arcary discute as origens históricas da corrente centrista na social-democracia alemã. Maria Lídia Souza da Silveira reforça o caráter inovador de nossa revista ao discutir a temática da subjetividade no âmbito do marxismo. Traz com isso, para nossa pauta, uma importante questão, freqüente e injustamente deixada à margem da nossa reflexão.

A seção de resenhas de Outubro dá testemunho da importante renovação dos estudos marxistas em nosso país. A publicação de Para além do capital, de István Mészáros, e de Gênese e estrutura de O Capital de Karl Marx, de Roman Rosdolsky, são os dois principais acontecimentos editoriais do ano no âmbito do marxismo e não poderíamos deixar passar em brancas nuvens a publicação dessas obras monumentais. Completam a seção de resenhas os livros de Edmundo Fernandes Dias, Gramsci em Turim e de Juliana Colli, A trama da terceirização.

A todos, desejamos uma boa leitura.

EDIÇÃO 07